Calmaria, silêncio, brisa suave, risos, conversas despretensiosas, talvez ainda falassem sobre os últimos milagres e de como aquilo foi grandioso, inesquecível, WOW!
Quando coisas maravilhosas acontecem ficamos como quem sonha. Uma olhadinha na glória de Deus, um manifestar poderoso durante um momento a sós com ele, uma promessa grandiosa, um milagre e nosso coração explode de alegria e satisfação. Nosso desejo é que aquele momento dure toda a eternidade. Mas não dura, logo passa e surgem novas oportunidades de vermos coisas grandes, mas junto com essas coisas nem sempre vem milagre, nem sempre vem alegria. Seguimos Jesus, e em alto mar somos acometidos por uma grande tempestade, ventos fortes e muito alvoroço.
A brisa que antes refrescava começa a assustar tomando proporções maiores e jogando o barco de um lado para o outro. A suavidade se torna em força que apavora e abala, levando a calmaria, transformando riso em preocupação e fé em incredulidade.
Com sua imponência a tempestade vem trazendo consigo medo e desespero. A água ainda não havia entrado no barco, mas os discípulos já tinham percebido que não estavam mais no controle da situação, e as ondas ficando cada vez mais altas era quem aparentemente comandava aquele barco, e aquelas vidas ali dentro.
As águas começam a entrar no barco, invadir, molhar, tudo indicando que iriam perecer, o desespero entra nos corações como águas impetuosas invadindo e molhando cada grão de fé. Eles não podiam fazer nada, não tinham mais o controle do barco, e nunca tiveram o controle do mar.
Consigo imaginar a angústia deles em alto mar, nenhum lugar seguro para onde pudessem fugir, longe demais da praia para nadar, e seria loucura se atirar naquele mar furioso. Consigo imaginar a ansiedade, o desânimo, o cansaço físico, nada mais a fazer, apesar de já terem tentado tudo que aprenderam ao longo dos anos. Mas nenhuma tempestade como aquela,nada parecido tinha lhes dado experiência para lidar com aquilo, nada que lhes apontava uma saída do meio das ondas que pareciam querer tragá-los, para um lugar de calmaria. Naquele momento, eles só podiam se deixar levar, ou o barco quebraria ao meio lutando contra a maré.
Tudo que eles faziam era inútil diante da grandeza do mar, do bramido das grandes águas.
Mas o Senhor nas alturas é mais poderoso do que o bramido das grandes águas, do que os poderosos vagalhões do mar. Sl 93.4.
Não havia outro barco para ajudar, não havia escape, a insegurança tomava conta de todos e o pavor os fez perguntar: Não te importa que pereçamos?
Por trás dessa pergunta havia palavras que não foram ditas; Jesus, minha fé não é tão grande assim, na verdade deve ser menor que um grão de mostarda. Não sei se conseguiremos escapar, não vejo como esse barco pode aguentar, não vejo saída.
A insegurança, tempestade do lado de dentro aumentava ainda mais a proporção da chuva, dos ventos, aqueles solavancos, cada um maior que o outro, e sempre parecia que o barco ia virar. Nesse momento já nem lembravam mais dos grandes feitos que haviam visto Jesus realizar, talvez pensassem que nem foram tão miraculosos.
Jesus foi o primeiro a entrar naquele barco, e os discípulos o seguiram. Jesus dormia tranquilamente porque sabia que tempestades e ventos ainda obedecem ao som da sua voz.
E ali estava quem é maior do que o mar, Ele é o dono do mar e tem toda autoridade sobre ele. Ele é maior do que as aflições deste mundo, maior do que tudo que tenta nos paralisar. Ele é maior do que a tempestade do lado de dentro, porque às vezes a tempestade é no coração. Mas Jesus mora dentro do nosso coração e pode trazer a sua paz, porque a sua presença em nós já é bonança.
Não há tempestade que não se acalme, ou vento que não emudeça ao ouvir a sua voz. A tempestade é só um passaporte para conhecermos quem Ele é. Ele Reina sobre o mar. Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem? Ele é Jesus, é Deus!